segunda-feira, 26 de novembro de 2007

E AGORA...

Se eu não brinquei de bola?
Se eu não fui criança?
Se eu fui a esperança?
E agora?
Já se passaram as horas?
A vida nada melhora,
E eu não tenho vontade de ir embora?
E agora?
Se eu não tive infância?
Se eu não fui criança?
Se eu não cresci brincando?
Mas cresci amando?
Eu não brinquei,
mas sorri,
Soltar pipa eu não sei,
Mas amar eu aprendi.
E agora?
O que faço,
Tenho que ir embora,
E assim o destino eu mesmo traço...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

terça-feira, 20 de novembro de 2007

MIGALHAS...

Eu só quero um pouco d'água,
E um pedaço de pão,
Eu só quero algo,
Pra acalmar meu coração,
Eu não quero mais ver,
O mundo ser a ilusão.

Eu só quero,
Algo pra comer,
Não quero mais,
A fome ver,
Eu quero que a vida,
Melhor possa ser.

Eu só quero um pouco d'água,
Apenas isto e nada mais,
Não ver mais ninguém,
Sem rumo e sem paz,
Não quero mais ver,
A vida andar pra trás.

Só quero um pedaço de pão,
Um pedacinho e só,
Eu quero mudar o mundo,
E ver a vida ser melhor,
Eu quero liberdade,
Eu quero que de mim tenham dó.

Eu quero amor, alegria,
Paz, saúde e esperança,
Eu quero ver o mundo inocente,
Quero voltar a ser criança,
Quero água, quero pão,
Quero aquilo que a gente não alcança.

Mas eu só quero um pouco d'água,
Quero água pra tomar,
Quero que todos,
Aprendam a amar,
Quero o que todos querem,
Quero ver o mundo mudar.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

NUNCA MAIS...

Eu não vou acreditar,
Que tudo pode ser melhor,
Eu não vou chorar,
Quando eu estiver só.

Acreditei em tudo e nada,
Acreditei em amor,
Mas a vida é desgraçada,
E a gente sofre grande dor.

Como posso caminhar na rua?
Não sei como sonhos de novo ter,
A saudade está nua,
Como posso assim viver?

Eu via pássaros e flores,
Eu via uma gota de esperança,
Eu perdi tudo, até meus amores,
Eu queria voltar a ser criança.

Eu queria ir embora,
Eu queria ter alegria e paz,
Mas agora,
Nunca mais...

Autor: Oziel Soares
www.ozielpoeta.blogspot.com/

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

UMA MENINA TRAGÉDIA...

(Baseado em fatos reais)

Minha caneta não é digna,
De contar a sua história,
Desvendar o seu enigma,
Se eu conseguir, sou campeão sem glória.

Lembro-me de ti,
Sempre feliz,
Sorrindo pra mim,
Seu carinho sempre quis.

Lembro-me de ti agora,
Das vezes que brincamos,
Eu ficava triste quando ias embora,
E em nossos olhares nós nos amamos.

Nós éramos criança,
Você pura e inocente,
No seu rosto esperança,
De a vida ser diferente.

Até que um dia eu parti,
E só ficou a saudade,
Seu rosto nunca mais eu vi,
Nossos sonhos não se tornaram realidade.

Anos se passaram,
Ainda havia recordações,
As lembranças não se apagaram,
Os laços de nossos corações.

Mas a vida,
É uma caixinha de surpresa,
É uma ferida,
Que traz dor e tristeza.

Certo dia,
Deram-me uma informação,
Que tirou minha alegria,
E despedaçou meu coração.

O seu pai, que tinha por ti tanto zelo,
Tinha lhe estuprado,
E pra meu maior desespero,
Dele você havia engravidado.

E tinha ainda mais,
Sua criança não falava,
Você não sorriria jamais,
Sua felicidade acabava.

É difícil aceitar,
Mas tem coisa que a gente,
Não pode explicar,
Tudo será tão diferente.

Uma coisa posso crer,
Ás vezes alguma coisa certa sai,
Não poderias ouvir ele dizer:
"Mãe, quem é meu pai?"

É com lágrimas em meu olhar,
Que hoje de uma coisa eu sei,
No meu coração vai sempre estar,
Quantas vezes eu já chorei,
E eternamente vou chorar,
Jamais te esquecerei...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

terça-feira, 3 de julho de 2007

A REALIDADE... (SOMOS TODOS MENINOS DE RUA)

São parques, estradas e pontes,
Beleza no centro da cidade,
Mas a gente vê tristeza aos montes,
E a dor é a realidade.

Papoco, Belo Jardim, Bairro da Paz,
Sobral, 06 de Agosto, Taquari,
Tu vai mas não sabe se volta mais,
Mendigos miseráveis, o inferno parece ser aqui.

E matam, roubam e morrem,
São ratos da humanidade,
E quando vem a polícia eles correm,
E quem morreu deixou saudade.

Somos pobres, somos miseráveis,
A realidade é crua,
Somos homens descartáveis,
Somos todos meninos de rua.

A realidade é a dor,
Violência, desemprego, lixo,
Vivemos de favor,
O homem é um bicho.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.oziel.poeta.blogspot.com/

segunda-feira, 11 de junho de 2007

NÃO MAIS...

Eu chorava, e já não chora mais,
Eu amava, e já não amo mais,
Eu sorria, e já não sorrio mais,
Eu vivia, e já não vivo mais,
Eu pulava, e já não pulo mais,
Eu cantava, e já não canto mais,
Eu gritava, e já não grito mais,
Eu odiava, e já não odeio mais,
Eu fazia, e já não faço mais,
Eu corria, e já não corro mais,
Eu gostava, e já não gosto mais,
Eu estava, e já não estou mais,
Eu era, e já não sou mais,
Não mais...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
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VAGABUNDO...

O que é a vida,
Quando não se pode amar,
O que é o mundo,
Quando a felicidade não se consegue encontrar.
O que sou em meio ao mundo,
Onde alguns caminham em vão,
O que é o amor quando só se encontra ilusão.
Sou apenas um pássaro,
No céu a voar,
Sou peregrino no mundo,
Que não sabe o que é amar.
Qual é a razão
De existir?
Que futuro tenho,
Senão consigo fazê-la sorrir?
O que sou
E o que serei?
Se pra sempre, calado,
A amarei?
O que faço
Se não posso amá-la?
Sofrerei...
Pois não consigo dos meus sonhos tirá-la.
Sou vagabundo,
A vagar na solidão,
Sou inútil poeta,
Pois não consegui conquistar seu coração.
Eu queria tanto,
Poder amá-la e ser feliz,
Coitado de mim,
Pois do amor sou aprendiz.
Sou vagabundo,
Por amá-la demais,
sonhei tanto com ela,
e hoje já não tenho paz.
Não sei até quando,
Vou amá-la sem parar,
Não sei até quando,
Com ela vou sonhar.
Talvez eu ame-a,
Infinitamente,
Tudo se passou,
E acabou tão de repente.
Acabou e passou-se,
A esperança,
De viver o amor por ela,
Que sonho desde criança,
Sou vagabundo,
Vagabundo de verdade,
Peregrino na solidão,
Peregrino na saudade...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

segunda-feira, 28 de maio de 2007

A VIDA É UM MENINO QUE CHORA...


A vida é um menino,
Que intensamente chora,
Ocultando um rosto lindo,
E sua alegria foi embora.

Ele não pula não grita,
Apenas chora e nada mais,
Assim é a vida que faz que eu repita,
Que ela é um menino que chora sem paz.

Ela é repleta de violência,
O menino que clama,
Que procura a moral e a decência,
Que a liberdade chama.

O menino que não faz mais nada,
A não ser chorar,
Que vida desgraçada,
Que não ensina a gente amar.

Não nos dizem o que é paixão,
Não nos ensinam o que é amor,
Não se sabe como funciona o coração,
E o menino chora e sente no peito uma árdua dor.

Vi um menino arrastado na rua,
Vi ali a vida dilacerada,
Vi a realidade caminhar nua,
vi o mundo segui uma longa estrada.

A vida é um menino que chora,
Ao ser arrastado por um carro,
E sua vida foi embora,
E o mundo continua com drogas, bebidas e cigarro.

Tiram-lhe a vida,
Mataram uma criança,
A felicidade destruída,
E o mundo segue sem esperança.

A vida é triste, é cruel em circunstâncias,
A vida é banal, pois não se sabe amar,
É um menino que perdeu sua infância,
E que não mais irá sonhar.

Autor:Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

P.S.:  Esta poesia refere-se a João Hélio Fernandes Vieites (Rio de Janeiro, 18 de março de 2000). O caso foi um crime ocorrido na noite de 7 de fevereiro de 2007, João Hélio foi assassinado após um assalto, tinha seis anos de idade e foi mais uma vítima da violência na cidade do Rio de Janeiro)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

"MÃE, LÁ NO CÉU TEM PÃO?"

Falaram- me de uma criança,
Que no mais triste do sertão,
Onde a fome faz matança,
Disse: "Mãe, lá no céu tem pão?"

E após isto dizer,
Uma frase tão doída,
Veio nos braços de sua mãe morrer,
E partiu mais uma vida.

"Mãe, lá no céu tem pão?"
Nunca mais esquecerei,
De pensar parte o coração,
Pois mudar o futuro, talvez não conseguirei.

Qual será a dor,
De não ter o que comer,
Que vida sem amor,
Muitos na miséria tem que viver.

A criança cumpriu seu destino,
Morreu de fome, num país sem união,
Mas este será do Brasil um futuro hino,
"Mãe, lá no céu tem pão?"

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/