terça-feira, 2 de dezembro de 2008

PEGAR A CANETA E REESCREVER UMA NOVA HISTÓRIA...


(Com base em depoimentos de pessoas que sofreram com a tragédia em Santa Catarina)

Perdi minha mãe e meu pai,
Perdi meus filhos, eram três,
Vi como dez anos em dez minutos se vai,
Percebi como é difícil construir tudo outra vez.

Eu tinha dois filhos pequenos demais,
Minha mulher estava grávida de mais um,
De repente, a chuva levou tudo, também a paz,
Comigo agora, não tenho mais nenhum.

Só lembro que dormi,
E quando acordei não tinha nada,
Minha casa destruída vi,
Minhas lembranças na lama jogada.

Tenho apenas seis anos,
Para sofrer tanto assim,
Eu tinha sonhos, planos,
Mas rapidamente, vi chegar ao fim.

Eu queria meu aniversário,
Fazer oito anos e poder comemorar,
O destino veio como um adversário,
E minha alegria conseguiu tirar.

Santa Catarina foi devastada,
A chuva caiu feroz,
Casas, pertences, a vida acabada,
Podia ter sido com qualquer um de nós.

Mais uma vez sinto em meu peito,
Uma dor que corroe a minha alma,
A natureza fez-me ficar deste jeito,
Findou-se tudo até a minha calma.

É um povo que agora chora,
Por tudo que se perdeu,
Não só bens, mas pessoas foram embora,
Simplesmente, a terra comeu.

A vida, sim a vida,
É uma caixinha de surpresas,
Tem coisas boas ainda,
Mas tinha também sofrimento e tristezas.

É mais uma tragédia que me deixa triste,
Famílias estão no olho da rua
Mas esperança ainda existe,
E a vida? Ela continua...

A coisa está “preta”,
O que posso fazer agora?
-Vou pegar a caneta,
E reescrever uma nova história!...

Autor:Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

sábado, 22 de novembro de 2008

MENINA ISABELA


A vida é uma ferida,
Que nunca sara,
É o medo da partida,
É essa dor que não pára.

Nas manchetes dos jornais,
Só se falava em Isabela,
E tirando minha paz,
Sou obrigado a escrever sobre ela.

Ela só tinha cinco anos,
Pra morrer daquele jeito,
Quem são esses seres humanos,
Sem um coração no peito?

Jogada do prédio talvez,
Inocente, sem pecado,
Quem será que isto fez?
Que mundo desgraçado.

O sorriso da menina,
Ninguém jamais terá,
Mas ela existirá ainda,
Sua história irão contar.

Ela iria casar,
Ter filhos e tudo mais,
Iria se apaixonar,
E agora entre os mortos jaz.

Não posso esquecer,
O rosto e o sorriso de Isabela,
Que mudou o meu viver,
Pois hoje a vida, já não é mais tão bela...

Autor:Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

O QUÊ QUE HÁ?

O quê que há com essa gente?
O quê que há com esse mundo,
Esse povo indiferente,
O planeta está imundo!

Não se olha para as estrelas,
Nem ao menos para o céu,
Nem para a chuva batendo nas telhas,
Para as gotas que cobrem a terra como um véu.

Onde está a esperança?
Onde está o amor?
Os sonhos ninguém alcança,
Eu não entendo pra quê tanto rancor...

Autor:Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

AOS MESTRES...

Aos arquitetos do futuro,
A gratidão de um menino,
Àqueles que levaram a luz a um campo escuro,
A chave do meu destino.

Pelas raivas, tristezas, desesperanças,
O meu sincero e simples perdão,
Pelas vezes que agimos como crianças,
Por todas as vezes que não lhes demos atenção.

Felicidades por esse dia,
Que pra nós se faz especial,
Lembramos dos apuros, medos, alegrias,
Que pra nós nem já é tão mal.

Vocês são aqueles,
Que nos ajudam a construir nossas pontes,
Que nos ligam ao mundo, aos saberes,
Que nos ampliam nossos horizontes.

Aos mestres, obrigado!
Só temos isso e nada mais.
Pelos momentos do nosso lado,
Que não voltarão jamais...

Autor:Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A CRIANÇA EM MIM...


Há um grito por esperança,
Um grito por socorro,
Em mim há uma criança
Que não queria nascer de novo.

Um gemido que não pára,
Minha alma está ferida,
Tenho uma cicatriz que não sara,
É uma rua sem saída.

Vejo a vida da janela
Com tanta morte e desilusão,
Ela já não é mais tão bela,
Já não há paz para o coração.

Eu queria mais amor
Para toda essa gente,
Um mundo sem mágoas, sem dor
Que tudo fosse diferente.

Há tanta violência,
Tanto sofrimento,
Tanta indecência,
Há tantos sonhos jogados ao vento.

O desprezo é realidade,
É a verdade, cruel e vil,
Vejo crescer a impunidade,
Deus tenha dó deste Brasil.

Há uma criança em mim,
Que quer acreditar,
Que o choro vai ter fim,
E que o mundo vai mudar,
Não dá mais para viver assim,
Ainda quero poder sonhar...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

P.S.: Esta poesia me fez ganhar em 2º lugar em um concurso de poesias a nível nacional em 2008, perdendo apenas para o Distrito Federal

"O texto é um monólogo que expressa uma crítica e um projeto, um desejo de mudança. Por não haver mais artistas que falem do belo, do amor, do carinho, do humano, Oziel perde em força expressiva, mas logo é compensado pelo tom sacrificial que aplica a si mesmo, com o qual dialoga, como se fosse seu duplo. Levando em consideração a idissincrasia do autor, digo que estamos diante de um belo texto. A conexão das frases refletem um encadeamneto simbólico lógico: "que não queria nascer de novo". O melhor seria conversar com o autor e com ele trocar ideias. Assim, descobriria outras metáforas guardadas no seu inconsciente. O texto, enfim, é um desabafo. Um grito. Um lamento. O grande complicador é a postura do autor diante da vida, diante de si mesmo. Ele é, aparentemente, o emissor e o receptor. Parece escrever para si mesmo. è de um lirismo cujas palavras falam o que está escrito. Um texto que nos coloca contra a parede da indecisão, do imobilismo. Muito bom!"
(Professor Clodomir- Presidente da Academia Acreana de Letras)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

MEU PRIMEIRO AMOR

Um dia eu amei,
Alguém de verdade,
Mas num momento acordei,
E só havia em mim saudade.

Amei-la na infância,
Na minha inocência,
Eu ainda era criança,
Quando chorava com sua ausência.

Todos os dias eu pensava,
Naquele sorriso lindo,
As vezes nem acreditava,
Parecia que eu estava dormindo.

Eu amei-a tanto,
Como nunca amei ninguém,
Ela me fez viver em pranto,
Mas sempre lhe desejei o bem.

Eu era capaz,
De a vida por ela dar,
Agora já não dá mais,
O destino veio nos separar.
Queria poder retroceder,
E voltar ao meu passado,
Queria poder te ver,
Do jeito de quando eu era por ti apaixonado.

Lembro de cada dia,
De cada coisa que você fez,
Do beijo no meu rosto, que tanto me deu alegria,
Se eu pudesse viver tudo outra vez!

Perdoe-me por tudo,
Perdôo-lhe por nada,
A vida fez dar voltas o mundo,
Mas pra mim, serás, minha eterna amada...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

terça-feira, 12 de agosto de 2008

MUSA DO POETA


(Para professora Gladis)

Alguma coisa em ti,
Me chamou a atenção,
Talvez seu modo de agir,
Fez-me sentir uma emoção.

Te vejo como musa,
E nada além mais,
Te vejo como um estrela confusa,
E ninguém me encantou assim jamais.

Seu rosto tão lindo talvez,
Quem sabe seu intenso olhar,
Escrever estes versos me fez,
E pra sempre te admirar.

Não sei quase nada sobre você,
E pouco me importa isto agora,
Só queria hoje te dizer,
Que és para o poeta uma doce aurora.

Você me encantou,
Não entendi ainda o motivo,
Não pense que fiquei apaixonado, por favor!
Pois um grande e verdadeiro amor eu vivo.

Só sei te dizer,
Que minha musa você é,
Parabéns por você ser,
Uma linda e deslumbrante mulher.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

HOJE EU PRECISO TANTO DE VOCÊ (Soneto)

Hoje eu preciso tanto de você,
Preciso de seu doce ombro amigo,
Preciso de você caminhar comigo nesta estrada que sigo,
Queria só hoje, ao meu lado te ter.

Eu queria te ter hoje e só,
Poder compartilhar minha dor,
Poder te falar do sofrimento, saudade e amor,
Eu queria que você voltasse e tudo ficaria melhor.

Eu queria te ver só mais este dia,
Para rir contigo mais esta vez,
Preciso de ti para matar a saudade.

Queria-te de volta hoje pra meus sonhos serem verdade,
Só hoje, nem mais um dia, nem mais um mês,
Hoje eu preciso de você pra ter de volta minha alegria.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

ESPERANÇA (Acróstico)

(Acróstico escrito para minha amiga Sarha, as iniciais formam o nome dela completo)

Sem ninguém para conversar,
A tristeza não me deixa em nada acreditar,
Rostos de esperança ficaram em mim,
Hoje, eu não sei por que tem que ser assim,
Ainda estamos sós, e o medo não tem fim.

Janelas e portas entreabertas,
Havendo o que há, tantas coisas incertas,
Estes são reflexos do mundo de nossos sentimentos,
Rumores do que há em nossos pensamentos
Sonhos que não realizaram-se ainda estão aqui dentro,
Yes-sim, há sonhos que as pessoas matarão,
Keepers-donos do universo elas não são,
A gente tem que lutar para salvar nosso coração.

Muitas vezes nós não entendemos a vida,
E choramos por não vermos saída,
Não vemos que sempre há esperança,
De voltarmos a ter os sonhos de criança,
E não entendemos onde está a alegria,
Somente nos perguntamos: “Quem nunca chorou um dia?”,

Lagrimas rolam e caem no chão,
Instantes ficaram na recordação,
Rios da vida, mas ainda há trevas luz,
Alguém por nós morreu um dia, seu nome: JESUS.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

O AMOR...

O amor é como o igarapé que
Corre
       Escorre
                  Percorre
                              E não morre.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

quarta-feira, 23 de abril de 2008

TAYRA...

Escrevo agora na imensidão,
A imensidão de meu caderno,
O que há no meu coração,
Sentimentos que são eternos.

São versos que faço,
são palavras e palavras,
Sonhando com teu abraço,
Um sentimento lindo que procuravas.

Tayra, a coisa mais linda que encontrei,
A pessoa mais importante em minha vida,
Sem medo eu te amei,
Sou prisioneiro do seu amor e não há saída.

Tayra, eu te amo demais,
Você é tudo pra mim,
Minhas palavras são tão banais,
Não falam de meu amor sem fim.

Neste momento,
Queria te ver,
E a dor aqui dentro,
Parece que vai me comer.

Desculpe! gatinha,
Por tudo que falo,
Sua vida também é minha,
E agora eu me calo...
Eu te amo...

Autor: Oziel Soares
www.ozielpoeta.blogspot.com/

P.S.: Escrevi quando Tayra ainda era minha namorada, e é até hoje um grande amor que Deus me deu...

quarta-feira, 12 de março de 2008

ACREDITEI...

Acreditei,
Que a vida podia ser diferente,
Confesso até chorei,
E não quis mais seguir em frente.

Acreditei em papai Noel,
E em conto de fada,
Olhei pra beleza do céu,
Agora, não acredito mais em nada.

Acreditei em amor,
Mas só tive ilusão,
Queria o fim dessa dor,
Que aperta meu coração.

Não quero mais acreditar,
Nessa vida desgraçada,
Não quero mais amar,
Não quero mais nada.

Não quero mais saber,
Daquilo que deixei,
Não quero entender,
Por que quase nada sei,
Agora só sei dizer:
“- Um dia eu acreditei”.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

POR QUE MEU DEUS, POR QUÊ?

Por que tanto sofrimento?
Por que tanta violência?
Por que tantos sonhos jogados no vento?
Por que tanta indecência?

Tem filho a mãe matando,
Sem amor ou piedade,
Tantas crianças chorando,
Sem paz e felicidade.

Alguns matam-se, mas por quê?
Vivem uma vida desgraçada,
E onde muitos não tem o que comer,
Há quem não faça nada.

Há tantas mortes,
Tanta desilusão,
Será que devo lançar sortes,
Ou seguir meu coração?

Onde está a esperança?
Onde está o amor?
Tantos sonhos de Criança,
Que se torna em mágoas e dor.

Meu Deus, por quê?
Dessa gente tem dó,
Nós queremos viver,
Em um mundo bem melhor,
Só o Senhor é quem pode nos socorrer,
E nos mostrar que não estamos só.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

DEFICIENTES SOMOS NÓS...

Vi uma cena que partiu meu coração,
Vi um pai com seu filho deficiente,
Seus olhos chorava de dor e emoção,
Vi o que o futuro traz pra gente.

Vi uns olharem-no com dó,
Outros com desprezo,
Queria que tudo fosse melhor,
Mas o mundo vai ser sempre o mesmo.

O menino doente,
Tinha "água na cabeça",
Criança inocente,
Talvez nunca mais eu o esqueça.

Era um menino com cabeça d'água,
Que sofria tanto,
O coração de seu pai tinha mágoa,
E ele estava em grande pranto.

É triste ver a vida,
Doe em meu peito demais,
Não encontro uma saída,
Pra dizer que assim não dá mais.

A vida tem que mudar,
É melhor sem discriminação,
O medo tem que acabar,
É preciso amar, não importa a situação.

Muitos são perfeitos,
E à vida não dão valor,
E toda vez que eu me deito,
Peço a Deus, que às pessoas dê mais amor.

Somos perfeitos e sãos,
E com nada nos alegramos,
Vagabundos feitos cães,
E com nada melhor sonhamos.

Meu Deus! O quê que há?
Quero ouvir tua voz,
Dizer que o mundo vai mudar,
Pois deficientes somos nós.

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/