segunda-feira, 4 de abril de 2016

"A MÁQUINA EXTRAVIADA"...

As vozes do silêncio,
Os diálogos tão eternos,
As palavras que não penso,
Os distantes assim tão perto.

As tecnologias que dominam,
A vida virtual,
Um mundo que não ensina,
Como viver o bem, e sofrer o mal.

Nessa vida tão fingida,
Que a verdade não é nada,
Por que nós o seremos ainda,
"A máquina extraviada".

Pois nós nos tornaremos,
Aquilo que nos levou à escuridão,
Porque de tão virtuais que vivemos,
Nossos amigos aqui não estarão.

A nossa vida de postagem,
Que nem sempre é de verdade,
Já que tudo é de passagem,
E é tão efêmera, a felicidade?

Extraviamo-nos, querida!
E o que somos já nem sei,
E tão rápido passa a vida,
E nem nas postagens, estarei.

Perdi-me nesta tela,
E perdi tanto tempo,
E hoje aqui sem ela,
Daria tudo por aquele momento.

Mas perdi-me em mim,
E nem consigo me encontrar,
E este grito aqui sem fim,
Por favor, querida! Não se deixe extraviar...

Autor: Oziel Soares de Albuquerque
www.ozielpoeta.blogspot.com/

P.S.: O título é referência ao conto "A máquina extraviada", de José J. Veiga.

Um comentário:

Anônimo disse...

Belíssima poesia senhor oziel